Blog do Paulo Roberto Pires |
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A crítica como missão |
Vanguarda na cozinhaFui ao teatro. Pronto, falei. Fui ao teatro em Nova York, contrariando alguns de meus princípios fundamentais, como por exemplo evitar o constrangimento de presenciar pessoas no palco que, quase sempre, me lembram uma montagem amadora do Rapto das Cebolinhas que vi na escola primária. Uma amiga diz que sou jeca, pois não vou ao teatro no Rio e sempre vou quando viajo. É que ainda gosto de atores que sabem falar. Mas desta vez foi pior: não abri um exceção por Peter Brook ou pelo Théatre du Soleil: fui ver uma, ahn, digamos, “performance”. Off-Broadway. Na verdade, Off-off-Broadway. Pronto, agora contei tudo. Anger/Nation é o nome do negócio. The Kitchen é o nome do lugar. Um ticket na Broadway custa até US$ 250. No off-off, de agora em diante O.O., US$ 15. Na Broadway, é impossível não chegar. No O.O., só com o GPS do motorista africano que pilotava, falava no telefone e me inebriava com um capuccino do Starbucks. Quando chegou no endereço - 19th entre 10th e 11th Avenues – ficou preocupado: é aqui mesmo que o senhor vai? E me apontou um beco escuro, entre estacionamentos vazios e carros depredados. Sim, era ali mesmo. O Kitchen tem como presidente Philip Glass. Na prática, é um galpão escuro, com uma arquibancada íngreme e uma longa história de performances – Laurie Anderson e Meredith Monk fazem parte do conselho artístico. Talvez por isso não haja diferença sensível entre palco e platéia: há muito não vejo tanta gente de chapéu fora do palco ou de uma tela de cinema. Ah, e echarpes. E óculos de aros grossos. E mulheres gordas. E homens carecas. O nome do grupo (quatro pessoas) é Radiohole e o, digamos, espetáculo, junta os nomes de Carrie A. Nation, uma das ideólogas do puritanismo e defensoras dos bons hábitos dos americanos (no século XIX), e do cineasta de vanguarda inglês Kenneth Anger. Sacaram? Pois é, eu também não. Mas significado é algo que não tem mais sentido. Agora sacou, né? Ir a um teatro de vanguarda (sic) é olhar de frente para a sua própria decrepitude. Pois, pense bem, quando você é jovem tende a levar a sério estas coisas. E, não por um acaso, a platéia era esmagadoramente formada por pessoas abaixo de 30 anos. Havia os que, aos 50, usam rabos de cavalo, camisetas apertadinhas e fazem cara de conteúdo. Mas, dizia o Otto, ultimamente se passaram muitos anos e eu não estou me sentindo muito bem. E o teatro de vanguarda, assim como Minas Gerais, está onde sempre esteve, numa brecha espaço-temporal entre o sublime e o ridículo – mas perto deste do que daquele, bem entendido. Quando você entra, o espetáculo já começou. Três homens feios estão em frenética atividade: tiram chope morno e distribuem pela platéia. O que circula entre o público com um bandeja, grita o tempo todo e não veste nada sob sua toga de centurião romano. Ou seja, aqui e ali você tem vistas piores que a do beco onde fica a cozinha, quer dizer, the Kitchen. A atriz, com seus 30 e tantos, muito bonita, está grávida de uns quatro meses. E, entre um discurso e outro, corta com um machado grandes latas de cerveja, dando um banho nos felizes jovens das primeiras filas. Dois dos atores vestem ceroulas e perucas femininas; um deles, caprichosamente, recortou um buraquinho no meio das pernas, deixando coisas pendentes ao longo do espetáculo – Nice balls!, gritou algum ser humano da platéia. Sério. Não há, como se pode prever, muitos objetivos evidentes. Todo mundo fala e mostra suas partes pudendas. Música alta. Barulho. Deboches camp, a famosa estética gay. A mulher vira uma sacerdotisa, desce a escada peladona mas nem parece, já que claramente desconhece aquele verbete do Webster’s, brazilian wax. Os rapazes deitam-se lânguidos no chão.Aplausos, acabou. Um rapaz na minha frente dá gargalhadas. Eu também. Mas, claramente, o riso dele é inteligente. O meu, é burro. Ele faz parte daquilo. Eu, não. Mas aí vem o golpe de mestre do Radiohole: acende-se a luz de serviço, o rapaz das coisas pendentes e seu companheiro sentam-se no cenário e começam a simular estes insuportáveis debates que se costuma fazer depois do teatro. E o público, muito jovem, muito crente, muito inteligente, custa a entender que está sendo sacaneado. Por uns dez minutos (eu contei) todos “participam”do debate. Até que a ficha começa a sair quando a atriz, já em trajes civis, simula estar indo embora. E o outro ator começa a desligar tudo. Mas o debate continua. E muita gente continua acreditando nele. Quando para mim já é suficiente, mais da metade do público ainda está lá. Saio no beco, vejo que a decrepitude está cercada de prédios chiquérrimos, coberturas espetaculares no meio do O. O. E vejo o quanto envelheci, o quanto dou risada sem conteúdo de como se faz pose neste extremo da cidade. E o Luiz Severiano Ribeiro que me perdoe, mas o teatro é que é a maior diversão. P. S. – Eu agüentei uma hora e meia. Vejam o quanto conseguem destes dois minutos e meio aí em cima...
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 28/09/2008 - 19:28 |
Cocoon jazz |
Parque temático de intelectualIntelectual também é gente. Por isso, gosta de parque temático igualzinho ao adolescente que vai para a Universal e ou para a Disneyworld. Fui apresentado por amigos a um destes brinquedos: o Library Hotel.É isso mesmo: um hotel que é uma biblioteca. Livros por todos os lados, gavetinhas das antigas salas de leitura forrando uma pareda recepção, monito batizado de Hemingway - e por aí vai. Mas o mais divertido é que, cada andar é batizado como uma seção da bilbioteca: Clássicos, Artes, Literatura, Filosofia, etc. E cada quarto tem uma particularidade, devidamente dotado de uma estante abastecida com os títulos afins. Fico pensando como deve ser dormir num quarto Stephen King. Eu não topava. Mas também há uma outra estratégia: escolher um autor bem pretensioso - ou muito prolixo - como forma de garantir um bom sono. Já imaginaram se este hotel fosse no Brasil? Eu ja. Mas não conta nem sob a mira de uma arma.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 26/09/2008 - 19:19 |
É o Lobo! |
Sutileza de elefanteAli, lado a lado com manuscritos de Lizst, Bíblias de Gutemberg (três delas) e com a coleção de obras raras de John Pierpoint Morgan estão as aquarelas que o francês Jean de Brunhoff criou a partir de uma história que contava para os filhos antes de dormir. Lançado em 1931, Babar, Le petit éléphant, foi um baita sucesso mas seu criador não teve muito com aproveitá-lo: ele morreria dois anos depois. Laurent, seu filho mais velho, ficou órfão do pai mas não do personagem e, em 1946, retomaria – para toda a vida – a série de desenhos do elefante que, depois de testemunhar o assassinato da mãe por um caçador, vai para a cidade, passa a se comportar e vestir como gente e vira rei de seu povo, criando um mundo animal à imagem e à semelhança da civilização francesa. Laurent de Brunhoff tem hoje 83 anos e vendeu para a Morgan o acervo do pai e o seu, base da exposição que mostra, passo a passo, a criação de Babar e seu renascimento. Os originais são sublimes e a transformação dos esboços em impresso fazem salivar qualquer um que gosta de livros. Mas, como diria Sempé, nada é simples e Adam Gopnik, o francófilo jornalista da New Yorker conta numa ótima matéria da revista o problema que Babar virou com o politicamente correto de um Ariel Dorfman (que é muito interessante mas vive pisando no quiabo), para quem o personagem dos Brunhoff reafirma o imaginário colonial da França, bla bla bla. Gopnik também assina um longo texto no catálogo da exposição e vai fazer conferência na Morgan sobre os elefantinhos franceses. Nos anos 70, quando minha mãe me deu de presente uma coleção de, se não em engano, cinco livros, acho que Babar não chegou a fazer minha cabeça sobre a inferioridade dos povos africanos. E, reencontrá-lo tanto tempo depois, só me trouxe boas lembranças. Como vocês podem ver, Monsieur e Madame Babar (e seu bebê) até posaram para este blog, perdidos num hotel em Manhattan.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 22/09/2008 - 20:49 |
Marsalis convida Jamal |
Quando eu ando pelo Soho...... eu me lembro da Gamboa - depois de o Tom me ensinar, é claro. E hoje, no outono meio frio que às vezes vira verão, a música do Paulo Jobim veio muitas vezes à cabeça, pois dá para entender perfeitamente porque o Maestro era apaixonado por esta cidade.Como vocês já perceberam, a partir de hoje e por uma semana, este blog-por-um-mês passa a ser transmitido - uploadado? publicado? - de Nova York. Não, a Bravo! ainda não está pagando a minha passagem, mas como trato é trato, contiua a blogar enquanto fico uns dias por aqui atolado de trabalho. Mas sempre arruma-se um tempo, é claro, para dar uma de turista-turista ou turista-cabeça, ou seja, passar por lojas e museus. Mas, como sempre, o forte de NY é o meu fraco: não falta show bom. O que falta é tempo para dar conta das listinhas da Time Out. Já comecei a maratona mas o jet-lag impede algo mais do que estas linhas. Amanhã eu conto.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 21/09/2008 - 00:36 |
Podcast: Portugal |
Cláudio Ulpiano, o mestreMal tinha feito17 anos, fui parar numa aula de Cláudio Ulpiano. Tinha acabado de entrar para a faculdade de jornalismo e, diante daquela enxurrada de referências e provocações filosóficas, comecei a achar a profissão o fim da picada. Não fui um “aluno de Ulpiano”, pois minha indisciplina não permitia acompanhar seus cursos sistematicamente. Mas de suas aulas, assim como das de Carlos Henrique Escobar, guardei algumas idéias e muitas impressões de que a vida sempre poderia ser mais rica. No caso de Ulpiano, estas injeções de vida vinham de uma leitura apaixonada de Gilles Deleuze, o que atraía gente com os mais diversos interesses, da filosofia em si aos usos que se pode fazer de conceitos na arte e, evidente, na vida. Lembro da primeira vez que o vi, uma figura impressionante: barba e cabelos meio desgrenhados, voz belíssima, olhos vivos e uma gentileza em ouvir os alunos e, também, no meio de uma passagem particularmente complicada interpelar a audiência com um “vocês estão acompanhando?” - ou alguma outra frase que te mantinha ali, certo de que iria chegar em algum lugar. Cláudio morreu em 1999 e deixou pouco escrito. Sua obra é
basicamente, suas aulas e, eu diria, o que sobrevive dele em cada um de seus
alunos. Foram eles, fiéis ouvintes, cúmplices e parceiros que criaram o Centro
de Estudos Cláudio Ulpiano e botaram no ar o site que é um retrato vivo
como só a rede permite: textos, voz, imagem, manuscritos. No trecho que postei aí em cima, Ulpiano fala sobre “ a estética da existência” e emociona,
pelo menos a mim, pela capacidade de fazer com que o extremamente complexo
parece extremamente simples sem baratear o discurso ou jogar para a torcida. É comovente
este reencontro com sua inteligência – e um convite para que se conheça um
grande, enorme, mestre.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 18/09/2008 - 14:36 |
O conselho do Lalau |
Useless landscapePara um fim de semana feliz: Ella Fitzgerald no Brasil, em São Paulo, 1971, cantando "Inútil paisagem" na versão de Gene Lees, para um Teatro Municipal lotado e companhada pelo Tommy Flanagan Trio. O improviso na segunda parte é um esculacho, com direito a citação de "A night in Tunisia". Que a vida nos seja leve.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 13/09/2008 - 13:05 |
Clarice, o enigmaQuanto mais diligentes professoras de Letras ocupam-se em decifrar as vírgulas e parágrafos de Clarice Lispector, mais ela se fecha, cheia de mistérios, como bem entendeu Caetano e Capinan. Cioran dizia que a pior coisa que pode acontecer a um escritor é ser completamente compreendido – como, acreditava ele, aconteceu com Borges. Mais um capítulo de desconcerto e desengano está nas páginas de Clarice Lispector, essa desconhecida (editora Via Lettera). Só que Julio Lerner, jornalista, não se aventura e interpretações: ele faz um memorial da opacidade de Clarice, um encontro de meia hora que reverberou por toda sua vida (Lerner morreu ano passado, antes de o livro ser publicado), tendo sido ele o responsável pela famosa entrevista de Clarice à TV Cultura de São Paulo (há um trecho postado aqui, vale a pena assistir a íntegra). Lerner mergulhou fundo, entrevistou pessoas próximas a Clarice (como Olga Borelli, amiga e uma espécie de secretária nos últimos anos de sua vida), foi à Ucrânia conhecer a aldeia de onde os Lispector partiram para o Brasil e, sobretudo, fez uma linda memória de seu encontro com a escritora. Uma entrevista improvisada num estúdio vago, que em menos de meia hora diz muito mais sobre a escritora do que tudo que já se escreveu sobre ela. No livro, a transcrição ocupa onze páginas apenas. Há muito mais no não-dito e nos silêncios. Transcrevo a última pergunta e resposta, pois de resto é impossível resumir este diálogo: J. L. : Mas você não renasce e se renova a cada trabalho novo? C. L.: Bom... agora eu morri... Mas vamos ver se eu renasço de novo... Por enquanto estou morta... Estou falando de meu túmulo... Depois da gravação, preocupada, ela pediu a Julio que só exibisse a entrevista depois de sua morte. Perplexo, ele acabou acatando o pedido, mas em menos de um ano o câncer, que ela ainda desconhecia, matou-a.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 13/09/2008 - 12:46 |
Olha o Lúcio! |
Alécio de Andrade |
O eterno homem tristeLeonard Cohen está tinindo. 74 anos, corpinho de 73, caiu na estrada depois de uma longa reclusão. Para nosso azar, estrada européia: dia 21 de setembro em Bucareste, 24 em Viena, etc. Fui ver onde ele estava depois de assistir, com direito a alguns replays, a “I’m your man”, mistura de documentário e show que acabou não saindo por aqui e vale a importação do DVD. Lançado em 2006, o filme mistura depoimentos de Cohen com gente das novas gerações que, de alguma forma, combinam com sua melancolia empedernida: Nick Cave, Rufus Wainwright, U2, Jarvis Cocker e, dentre outros, o incrível, fantástico, extraordinário Antony (já ouviram? É o máximo). O dito Antony (“If it be your will”), Cave (“I´m your man”) e Rufus (“Chelsea Hotel n 2” , dentre outras) batem o maior bolão ao conciliar as letras espetaculares com seus vozeirões, deixando meio de lado o recitativo que Ele imprime a qualquer interpretação. Mas foi da voz gauche de Cohen que mais senti falta: sou fã de compositores não-cantores como Tom Jobim, Harold Arlen, Vinicius de Moraes, Michel Legrand. E aqui Cohen fala (pouco, é claro) e só entra num clip, gravado, que postei aí em cima, com o U2 acompanhando-o em "Tower of song" – notem que Bono está humilde (!) como a Madre Teresa de Calcutá pagando um backing vocal para o Ladie’sMan. Pois
é em Leonard Cohen cantando que está a essência de Leonard Cohen. Uma amiga,
maldosa, diz que ele, com sua voz sussurada, faz música de motel para
intelectual. Seria a falência do estabelecimento, pois uma vez que ele começa a
cantar é impossível fazer outra coisa que não seja prestar atenção no que está
sendo dito. Chega de papo, “Tower of son” é auto-explicativa: Well my friends are gone and my hair is grey
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 11/09/2008 - 14:14 |
As caras da literaturaQuem gosta de livro gosta também do objeto. O velho Borges, não sem ironia, defendia que o livro é um cubo de papel, “uma coisa entre coisas”. Mas todo mundo que, ao longo dos anos, vem construindo uma biblioteca sabe que, mais do que objeto, eles são seres, com cheiro e personalidade distintas. Sempre achei possível, pelo menos idealmente, escrever memórias exclusivamente a partir de livros que foram lidos em determinados momentos da vida.Orhan Pamuk me explicou o porquê num textinho magnífico, “Nove notas sobre capas de livros”, incluído em Other colors, reunião de ensaios lançada ano passado nos EUA. Uma de suas observações, a última delas, mata a charada: “Os títulos dos livros são como os nomes das pessoas: eles nos ajudam a distinguir um livro dos milhares de outros com os quais ele se parece. Mas as capas de livros são como os rostos das pessoas: elas tanto nos lembram de um momento feliz que vivemos quanto nos prometem um mundo de felicidade ainda a ser explorado. É por isso que olhamos para as capas de livro tão apaixonadamente quanto o fazemos com os rostos das pessoas”. Pense bem: quantos autores não estão inevitavelmente associados com as capas de seus livros nas edições que os lemos? Para mim: o Fernando Pessoa da coletânea O eu profundo e os outros eus; os Dublinenses traduzidos numa cena de rua da cidade de Joyce (na versão de José Geraldo Vieira); o desenho, tão sóbrio e minimalista, que Fernando Sabino deu a seus livros nas últimas décadas; a família de beatniks reavivada nos anos 80 pela Brasiliense e pela L&PM, o Eisenstein, dos anos 60, na Zahar; o Bestiário de Cortázar na Civilização Brasileira; e por aí vai. E vocês? Que caras tinham seus autores favoritos?
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 09/09/2008 - 22:26 |
Raskolnikov no Baixo Leblon |
MuriloscopistaMorreu Luciana Stegagno Picchio. Tinha 88 anos e foi responsável pela edição definitiva da obra de Murilo Mendes, o que por si só justificaria uma vida tão longa. Mas fez muito mais divulgando a literatura brasileira e portuguesa pelo mundo a partir de Roma, onde vivia e dava aulas. Era formal como a schollar consagrada que de fato foi e, ao mesmo tempo, muito divertida, cheia de histórias e gargalhadas.Entrevistei-a em 1994, quando lançou o tijolaço (1782 páginas) da Poesia Completa e Prosa de Murilo pela Nova Aguilar. Numa varanda do Hotel Novo Mundo, no Flamengo, falava com paixão sobre a obra do poeta mineiro como se fosse sua e fazia pensar na importância, incomensurável, deste tipo de dedicação, quase anônima, para perenizar um escritor – o extremo oposto da auto-referência que assola o mundinho literário. Luciana nos deu uma História da Literatura Brasileira; o Brasil retribuiu com um silêncio ensurdecedor na hora de sua morte, em 28 de agosto. Soube da notícia por um leitor do blog de Luis Nassif e, na rede, há o emocionado texto da professora Vera Lúcia de Oliveira, que ensina na Itália. Em Portugal, o presidente Cavaco Silva pronunciou-se oficialmente lembrando seu papel para a cultura portuguesa.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 07/09/2008 - 14:03 |
05/09/2008Eu já tenho o meu Correio da Manhã: ele é o Notícia e Opinião, mais conhecido como NoPonto ou http://www.no.com.br/ . Não deveria, mas explico: desde que comecei a querer ser jornalista, sempre ouvia histórias dos paraísos perdidos da profissão: o Correio da Manhã , a Senhor , o antigo JB, sempre citados nostalgicamente por professores ou colegas mais velhos como os grandes momentos de suas vidas profissionais, instantes de felicidade que se passaram há muito, muito tempo. Como mudei eu e o tempo, o No. (2000-2002) é minha Pasárgada virtual, perenizada até em trabalhos acadêmicos e desaparecida no cyber-espaço há muito, muito tempo. Um tempo em que trabalhar “na Internet” ainda parecia uma esquisitice. Manter um blog, nem se fale. A falta de objetividade do parágrafo anterior diz muita coisa: há seis anos, deixei de ser jornalista para ser editor de livros. O leitor, a esta altura exasperado, pode ser perguntar: “e eu com isso?”. Se você chegou até aqui, é bom que saiba,e para isso serve este post inicial, que este blog-por-um-mês nasce do convite do João Gabriel de Lima, o único Paulista Carioca da vida real, e também da compulsão de escrever e compartilhar algumas idéias e impressões que, vá lá, deverão ficar mesmo em torno de livros e discos - sendo a vida alguma coisa estranha que se passa, brevemente, entre uns e outros. Editar livros, dar aulas (de produção editorial) e manter um blog não é tarefa das mais fáceis. Por isso este aqui ganha atualização ao sabor do comichão bloguista, ou seja, algo entre mais de uma vez por dia ou três por semana. Como o tempo, ele de novo, passa rápido, já sou vovô nessa história de internet e volto a ela cheio de emoção, como Cascatinha e Inhana, numa noite tíbia, cantando as belezas do Lago Azul de Ipacaraí. Muito prazer.
Postado por: Bravo Online
| 05/09/2008 - 17:19 |