Freddie Hubbard morreu aos 70 anos. Era um soberbo trompetista, foi Jazz Messenger de Art Blakey e, na banda V.S.O.P., tinha a ingrata função de estar no lugar de Miles Davis. Aqui está ele, em 1984, homenageando outro grande, em "I remmeber Clifford". Termina, 2008.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 30/12/2008 - 07:07 Comente
A vida e a vida de Susan Sontag
Exatos quatro anos depois de sua morte, em 28 de dezembro de 2004, Susan Sontag tem publicado o primeiro volume de seus “escritos íntimos”. Perto do fim, ainda recusando-se a acreditar que, mesmo diante de todas as evidências, um terceiro e devastador câncer fosse vencê-la, ela disse ao filho, o escritor David Rieff: “Você sabe onde estão os diários”. O comentário lacônico foi interpretado por ele como a mais explícita manifestação possível de que poderia um dia publicá-los, pois sua mãe, apesar de intelectual combativa e, eventualmente, até mesmo falastrona, sempre tivesse mantido reservas sobre sua vida pessoal.
“Reborn” (“Renascida”), assim batizado a partir de uma anotação de Sontag, reúne escritos entre 1947 e 1963, ou seja, vai dos 14 aos 30 anos da ensaísta – e planejam-se mais dois volumes, ainda que nos últimos anos os diários tenham rareado. Foi editado por Rieff, que o fez não com os pudores que se poderia esperar de um filho (“a partir do momento em que decidi publicar os diários dela, não cogitei excluir nada”), mas como um interlocutor que manteve uma relação pouco convencional e muito conflituosa com a mãe, como ele mesmo deixou claro no doloroso depoimento, “Swimming in a sea of death”(“Nadando em um mar de morte”), um livro confuso e não muito bom lançado este ano que parece ser o que realmente é, ou seja, uma catarse daquelas.
Nesta primeira fase da vida de Susan, que aos 16 anos deixa para trás a vida infeliz com mãe e padrasto para iniciar redescobrir o mundo em Berkeley, suas preocupações centrais são intelectuais e sexuais, não exatamente nesta ordem: na medida em que lê vorazmente, comenta e discute tudo que lhe cai na mão, lhe passa pelos olhos e ouvidos, tenta conciliar esta inquietação, digamos, “do espírito”, com os clamores do corpo, que lhe dá sinais intensos e confusos, pelo menos num primeiro momento.
“Eu pretendo fazer de tudo... desenvolver alguma forma de avaliar a experiência (...) Eu tenho que me envolver por inteiro... tudo importa! A única coisa a que renuncio é ao poder de renunciar, de recuar – a aceitação da uniformidade e do intelecto. Eu estou viva, eu sou bonita... de que mais preciso?”, escreve ela em 1949, enquanto devorava livros e era iniciada sexualmente por Harriet Sohmers, identificada como “H.”, com quem manteve uma longa e conflituada relação. A jornalista H. e I. (a dramaturga Maria Irene Fornés) foram as mais constantes parceiras nestes anos decisivos e muito tateantes, já que ela termina por casar-se com Philip Rieff, um professor bem mais velho, sério e certinho que viria ser pai de David.
Esta declaração de voracidade diante da vida é, para mim, um perfeito resumo do que seria a Susan Sontag adulta e consagrada. Seu apetite pela experiência, intelectual, sexual ou existencial é, além de raro, a marca que definiu sua aceitação e rejeição. Já nos diários, ela questiona duramente a conseqüência de uma vida acadêmica, que regra o pensamento por liturgias de linguagem e cargos. Sempre mais ligada ao modelo de intelectual europeu o que americano, a ela interessava mesmo ser a franco-atiradora intelectual que transformou-a numa celebridade midiática e, também, num alvo fácil para críticos. Afinal, para ela, interessava tudo o que tivesse a ver com arte e com pensamento.
Nestes diários de juventude e amadurecimento já está, por inteiro, a escritora que escreveria ficção e dirigiria cinema; a diretora de teatro que foi encenar esperando Godot” em Sarajevo durante a guerra; intelectual desassombrada que, com o World Trade Center literalmente fumegando, publicou na “New Yorker”um artigo histórico, recusando a infantilização dos americanos diante da tragédia; a leitora apaixonada que ajudou a divulgar os escritores que descobria longe do auto-centramento da cultura americano: em 20 de dezembro de 1960, por exemplo, ela anota: “lendo “Memórias póstumas de Brás Cubas” (do romancista brasileiro Machado de Assis)” – que trinta anos mais tarde seria prefaciado por ela com o texto “Afterlives:Machado de Assis”. Enfim, ali está o retrato de quem, em 1958, escreveu: “Minha ambição - ou meu consolo – tem sido entender a vida”.
Com o figurino do artista romântico devidamente adaptado para o século das transformações radicais e das rupturas, Susan Sontag queria apagar limites entre vida e obra, pensamento e ação. Quando, finalmente se sente “renascida” para experimentar o mundo e a sexualidade, escreve: “não chame sexo de sexo. Chame de investigação (não uma experiência, não uma demonstração de amor) no corpo de outra pessoa. Cada vez aprende-se uma nova coisa. Eu tenho que fazer o sexo cognitivo e a cognição sensual”.
Na década de 1970, a jovem inquieta que pensava na sensualidade do conhecimento, no prazer do intelecto, não por um acaso ficaria amiga de um de seus heróis intelectuais, Roland Barthes, que depois de libertar-se do cerimonialismo da vida intelectual francesa (mas jamais de sua relação conflituosa com a homossexualidade), defendia este saber com sabor, o conhecimento como um sensualismo.
E foi ele, Barthes, que num texto publicado em 1979, um ano antes de morrer, falava sobre os equívocos e as fantasias que se costuma ter em torno de diários e escritos “íntimos”: “a sinceridade não passa de um imaginário de segundo grau. Não, a justificação de um Diário íntimo (como obra) só poderia ser literária, no sentido absoluto, ainda que nostálgico da palavra”. Em 1957, era assim que Susan via seus cadernos: “É superficial ver o diário como apenas um receptáculo para os pensamentos privados e secretos de alguém – como um confidente que é surdo, cego e analfabeto. No diário eu não apenas me expresso mais abertamente do que faria com qualquer pessoas; eu me invento. O Diário é um veículo para o meu senso de identidade. Ele me representa como emocional e espiritualmente independente. Alem do mais ele não apenas registra minha vida real e cotidiana; mais do que isso, em muitos casos oferece uma alternativa a ela”.
Os diários reunidos em “Reborn” são, na verdade, um work in progress de como Susan Sontag virou Susan Sontag. É ocioso folheá-los em busca de “revelações” ou de formulações intelectuais “inéditas”. Mais do que o esboço de uma obra, trata-se do esboço de uma pessoa, pois para ela, como para Barthes, escrever é antes de mais nada “escrever-se”, tornar-se efetivamente quem se é.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 28/12/2008 - 13:57 Comente
Duas vezes Susan
Nos idos de 1990, entrevistei Susan Sontag, pelo telefone, a respeito de “Assim vivemos agora”, um conto pioneiro em tematizar a Aids. Nervosíssimo, fiz lá meu roteiro de perguntas e, no meio da conversa, ela começou a me entrevistar: tinha sabido que o tradutor (Caio Fernando Abreu) era escritor, gay e HIV positivo e me perguntava sobre a qualidade da tradução. Acho que balbuciei algumas coisas mas dona Sontag era incansável: ainda que não entendesse português, como me disse, queria ver como soava seu texto nesta língua e me pediu que lesse um determinado trecho para ela. Enquanto lia, ela pontuava o texto com “interesting”s e um sonoro “beautiful”. Ali ficou para mim um traço de sua personalidade: curiosidade genuína, simpatia e uma assertividade assustadora para o interlocutor.
Mas assustador mesmo foi um encontro pessoal em 2002, quando Flávio Pinheiro e eu montávamos a primeira Flip. Susan estava no Rio para fazer uma conferência ao lado de Carlo Ginzburg na Biblioteca Nacional. Uma pequena multidão espremia-se para tentar entrar num novo auditório e muita, muita gente ficou de fora. Mrs Sontag chegou e seu editor, Luiz Schwarcz, foi me apresentar a ela com a idéia de falar sobre Paraty, etc.
Não foi possível: ela estava indignada como fato de as pessoas estarem de fora, defendia a abertura dos portões (não cabia mais ninguém), a transferência da palestra para outro auditório, bradava mesmo sobre o que ela via como uma atitude elitista e anti-democrática da organização. Me ouviu brevemente, não deu muita bola e continuou seu comício antes de subir no palco e chapar a platéia ao ler anotações do que seria “Diante da dor dos outros”, o pequeno ensaio sobre fotografia de guerra que atingia em cheio a demagogia sobre o 11 de setembro. O convite para a Flip acabou sendo feito e, acho eu, até aceito, mas a doença não permitiu que Susan Sontag fizesse uma quarta viagem ao Brasil.
Harold Pinter morreu ontem. Aos 78, pensou tão bem quanto escreveu, mantendo-se o angry man da juventude sem facilidades ou populismo. Foi também um ator poderoso e, melhor do que repetir os obituários espalhados pela rede, é assisti-lo, aí em baixo, em “Catastrophe”.
Escrita por Samuel Beckett, seu guru, em 1982, a peça de pouco mais de cinco minutos é uma densa discussão sobre o autoritarismo no jogo cruel entre um diretor, sua assistente e um ator. É uma das raras peças explicitamente políticas de Beckett, que dedicou-a a Václav Havel, na época perseguido pelo regime de Tchecoslováquia.
“Catastrophe” é parte de “Beckett on film”, projeto que entregou a 19 diretores de cinema as 19 peças do autor, filmadas integralmente. Pinter faz o diretor tirânico, Rebecca Pidgeon a assistente e ninguém menos do que Sir John Gielgud vive o ator manipulado em cena, em eloqüente mutismo. Ah, sim, a direção é de David Mamet.
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 26/12/2008 - 09:07 Comente
O Rei, como não convém
Tão previsível quanto o Natal, só o disco e o especial do Roberto Carlos. Na minha infância, quando ainda não entendia o Rei, era motivo de desespero. Depois, com a chamada maturidade, entendi melhor o Natal e o Rei – e passei a adorar este e a não mais que suportar aquele.
O especial não sei se verei, mas o disco já anda tocando por aqui, especialmente nesta tarde em que me divido entre a cozinha e a infalível melancolia, safra Assis Valente, que é tão infalível quanto nozes, bacalhau e Missa do Galo.
E, sinceramente, é para mim uma decepção o registro deste encontro de Roberto Carlos com Caetano Veloso cantando exclusivamente Ele, Antonio Carlos Jobim. Escapei por pouco de ser personagem de reportagem, pois depois de mais de quatro horas de fila, os ingressos para o show do Municipal acabaram na MINHA vez. Isso mesmo. Na MINHA vez.
Mas, sinceramente, tenho gostado pouco do que ouço. Roberto e Caetano são, para mim, gênios – com todos os tropeços absolutamente aceitáveis em longas carreiras como as deles. Mas no disco prevalece a novidade, ou seja, Roberto cantando Tom Jobim. As interpretações de Caetano são lindas, mas as de sempre.
Ainda assim, mesmo com a surpresa, sinto uma certa frieza, talvez pelo envelopamento das cordas, pela necessidade de fazer um som “bonito”, suave, lírico, sem arestas mas também de emoção escassa. E acho isso patente em “O que tinha de ser”, canção daquelas que, como diz o Aldir Blanc, só se deve ouvir no térreo. Nesta versão, não oferece riscos a, digamos, um oitavo andar. Ou, mais adequadamente, a um vão central de shopping.
Isso tudo para dizer aqui que “Roberto Carlos e Caetano Veloso e a musica de Tom Jobim” (este é o nome do disco) é meio fraco. Aí vem o Rei, enquanto estou escrevendo, e manda “Insensatez” em espanhol, faz um dueto meio “ghost”com o Tom em “Ligia” – e finalmente, nos emociona, a mim e a meu vinho rosé, com o “Samba do avião”.
Pô, Roberto, eu já ia dizendo que o disco não era lá estas coisas. Pô, bicho, sacanagem...
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 24/12/2008 - 15:33 Comente
Bimbalham os sinos (e eu não estou me sentindo muito bem)
Eu, que nunca pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel, já comemorei mais este Natal do que ele, o Natal, merecia. Daí a pasmaceira que se abateu sobre este blog na última semana: vivi entre deliciosos problemas natalinos, um congresso em São Paulo e, muitas, muitas comemorações (da firma, dos amigos, de uma parte da firma, de outra parte da firma). Confesso que não sei bem o que se comemora e já não sei o que dizer para meu fígado, que me cobra explicações todos os dias.
Com a mais linda das canções da época, a auto-explicativa “The Christmas song”, e seu melhor intérprete, Nat King Cole, este post deseja a todos aquilo tudo que os cartões estampam. E muito, muito mais – voltando às atividades normais para você que, como eu, já não agüenta tanta bimbalhada.
Há uma semana, o mercado editorial americano viveu sua Black Wednesday. Em bom português, um rasante e devastador passaralho que levou 35 empregos na Simon & Schuster, 54 na Thomas Nelson e as cabeças de dois altos executivos da Random House, o maior grupo editorial do mundo.
Por coincidência ou não, a "Newsweek" publicou – e os blogs da Harper Studio e da "New Yorker" reproduziram – um longo perfil de Barney Rosset. Quem? Pois é, se você não liga o nome a pessoa é porque ele sempre fez bem o seu trabalho de editor, maestro invisível que, quando é genial, se faz conhecer por quem publica. De novo: Barney Rosset, aquele que lançou nos EUA, por sua Grove Press, gente como Samuel Beckett, Henry Miller, Jean Genet, Jack Kerouac e William Burroughs. E, por isso, foi parar até nos tribunais, respondendo por afrontas à puritana moral americana.
E o leitor pergunta, o que este velhinho maluquete de 86 anos têm a ver com a crise da edição? Nada. Ou melhor, tudo. Sobrevivente de todas as viagens possíveis, nos lembra aos 86 anos um elemento que já foi preponderante na profissão: coragem. Não a de apostar milhares de dólares num livro só, mas de correr riscos com o que vale a pena, a novidade e a transgressão.
(Dentre outros riscos, ele também foi editor da "Evergreen", revista que publicou toda a cena beat, e produziu Film o genial filme dirigido por Beckett com um Buster Keaton devastado pelo tempo.)
O perfil, obviamente, fala por si só. Mas Rosset também é tema de um documentário, “Obscene”, celebrando-o muito justamente como um dos grandes editores americanos do século passado.
Enquanto isso, ele continua escrevendo em seu blog (!) e revirando os arquivos pessoais para botar o ponto final em sua autobiografia. Que, não por um acaso, ainda não tem editor.
Precedido por uma blitz de críticas favoráveis e textos elogiosos, estreou ontem “Capitu”, a versão para “Dom Casmurro” do “núcleo inteligente” da TV Globo - aquele no qual diretores só gostam de cinema e atores publicam manifestos contra a cultura das celebridades da qual tiram parte substancial de seu sustento. Em vez dos clichês da telenovela, clichês de um cinema de vanguarda; no lugar dos clichês de figurinos de época, clichês de releituras de figurinos de época; no lugar dos clichês de música de época, clichês de um ecletismo que ser que moderníssimo, ao sobrepor o texto machadiano e música pop como num comercial de TV.
“Capitu” nasceu, conceitualmente, para ser “melhor” do que, por exemplo, “A favorita”. Recusa o realismo, recusa as histórias mirabolantes, recusa as estrelas, recusa a trama pura e simples, recusa muita coisa para ser uma TV que, nem tão disfarçadamente assim, detesta a TV. Luiz Fernando Carvalho, seu diretor, é, aparentemente, um Narciso às avessas, que tem horror da própria imagem. Mas não a recusa por humildade, ao contrário: para ele o problema está é no espelho, que não parece digno de seu reflexo.
Quando encarou “Lavoura Arcaica” no cinema, o anti-Narciso brilhou, talvez porque não estivesse na TV, ainda que soltando uma pombinha branca no meio da densidade da história de Raduan Nassar – que resiste a tudo. No seu meio de origem, costuma fazer de “cinematográfico” um adjetivo e uma distinção: iluminação, cenários, figurino e atuações deliberadamente over e anti-realista são milimetricamente pensados. Resultado: elogios unânimes ao “clima onírico” e à “pesquisa de linguagem”.
Ao contrário do que aconteceu em “Hoje é dia de Maria” e “A Pedra do Reino”, em “Capitu” pelo menos entende-se o texto. Tudo se passa num grande salão, com as previsibilidades desta opção “teatral” – ou “operística”: cavalo de pau no lugar de cavalo, portais no lugar de portas, paisagens traçadas a giz, projeções em paredes descascadas. Aliás, tudo é descascado, como se tirado de outro tempo ou, na abertura, clipada como na MTV, uma superposição de cartazes num muro. Tensão entre os dois tempos, sacaram? Infidelidade para melhor ser fiel ao autor, entenderam? Não? Dêem uma lida na longa bula em que a produção “explica” cada uma de suas opções. Nada ali é gratuito, nada está fora do controle.
Como cinema, eu já vi este filme. No recente “Ronda da noite”, de Peter Greenaway, em que, para ser fiel a Rembrandt , o diretor inglês faz tudo se passar numa luz reembrandtiana, num palco em que se conta o making of de sua tela mais famosa. Já vi parecido em “Hitler, um filme da Alemanha”, uma epopéia de sete horas e meia na qualHans-Jürgen Syberberg conta sua versão de Hitler num único ambiente, cheio de bonecos e transformados pela luz, para ser mais fiel, indiretamente, ao espírito do fascismo e seu horror. Também há muito disso no “Parsifal”,de novo de Syberberg, que faz a ópera acontecer numa gigantesca reprodução da máscara mortuária do compositor, ou seja, “dentro da cabeça” de Wagner.
Como televisão, este filme peca pelo histrionismo excessivo, pela poluição de sentidos na sucessão de tableaux que lembram muito estas montagens modernas de ópera que os alemães adoram: tudo muito contraluz, muito expressionista, muito bonito – e muito vazio.Cada capítulo do livro, anunciado por um cartazete e uma leitura impostada – vem acompanhado de um efeito visual específico e, ao fim do terceiro entretítulo seguido, resplandece o esteticismo de pouca conseqüência desta “TV de qualidade”.
Perdoem a vulgaridade desta alma que vos digita, mas diante deste “Dogville” do Projac, eu prefiro Flora & Donatela. É só televisão, desculpem, mas eu gosto.
Ainda que não oficialmente, o verão chegou na manhã de hoje. Com um sol de se esquecer bala perdida e Árvridalagoa e lembrar a beleza estonteante de Copacabana.
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Postado por: Paulo Roberto Pires
| 09/12/2008 - 22:49 Comente
O pai do pingüim
O figuraça aí da foto é Jan Tschichold (1902-1974). Sei que não é fácil ligar o nome a pessoa, mas o distinto cidadão é autor de uma das maiores revoluções na tipografia e no design de livros do século passado. Foi ele que criou a genial e simplíssima cara da Penguin Books, os primeiros livros de bolso de mundo e até hoje uma grife de boas capas. Vale olhar no Guardian um slideshow leve e rápido com uma seleção dos melhores trabalhos de Tschichold, incluindo uma série fantásticas de pôsteres. O motivo do feature, é um livro da Thames and Hudson (editora que é craque nas edições de arte) dedicado ao trabalho do mestre. Baixa, dólar, baixa...
Postado por: Paulo Roberto Pires
| 08/12/2008 - 15:22 Comente
Se tu fores na Portela...
Ontem a Portela fez sua última feijoada do ano. Convidou Alcione e Pery Ribeiro para animar a festa, nos submeteu e todos a uma interminável sessão de jongo (que é tradição, é raiz, é cultura mas também é chato pacas) e levou à quadra de Madureira, brincando, umas duas mil pessoas.
Uma pequena multidão ordeira, educada e, como sempre, orgulhosa de estar ali. Uma pequena mulitdão que canta tudo, dos sambas românticos da Marrom (ontem um pouco Bege, talvez pelo excesso de maquiagem) aos “hinos” infalivelmente desfilados pela Velha Guarda, com um Monarco recuperado de recentes problemas de saúde e cantando o fino de sempre.
Como todo ritual que merece este nome, a feijoada é sempre a mesma, mas nunca se repete. E nesta despedida de 2008 o melhor estava mesmo nos bares em volta da quadra. O mais tradicional deles pegou fogo, mesa cheia de músicos como Leandro, pandeirista muito jovem e estiloso que, sem exagero, é um dos melhores ritmistas que já vi.
Na rua Clara Nunes, um faixa em letras garrafais anunciava a atração do Palácio do Pagode: A Jaula das Gostosudas. Mas, em busca de um descanso, fechamos a noite no Jorge’s Gril (assim mesmo, com um “l” só), quintal abençoado por um estandarte com a imagem do Santo Guerreiro e toda a letra de sua oração mais tradicional. Quatro garotos levavam um samba nervoso numa mesinha de plástico e, ali ficamos, contemplando a paisagem.
Na foto de cima, da Cecilia Brandi, um casal animado, parte da paisagem do Jorge’s Gril. E, aqui embaixo, um pouco do pagode. Agora, só ano que vem.