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O escritor Rubem Fonseca, em 1979, quando lançou o livro de contos ''O Cobrador''
O escritor Rubem Fonseca, em 1979, quando lançou o livro de contos ''O Cobrador''

 

Setembro/2008 | Assunto do dia

O espectro de Rubem Fonseca está sumindo da Literatura Brasileira?

Para Marçal Aquino, qualquer autor brasileiro contemporâneo deve algo a Fonseca. Já o escritor Fernando Molica acredita que a nova geração busca uma voz independente da influência do escritor mineiro. E você, o que acha?

Por Marcio Orsolini

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Leia reportagem sobre a nova geração de escritores publicada na edição de outubro de 2007 de BRAVO!
Trecho do livro "O Dia Mastroianni", de João Paulo Cuenca
Trecho do livro "Rakushisha", de Adriana Lisboa
Trecho do livro "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios", de Marçal Aquino

Desde que despontou na década de 60, o escritor mineiro Rubem Fonseca sacudiu a literatura brasileira ao tratar da violência das ruas brasileiras com uma brutalidade narrada meticulosamente. Autor de clássicos como Agosto (1990), Fonseca definiu as características do conto urbano brasileiro moderno e sua abordagem literária influenciou gerações posteriores de "escritores urbanos" na forma de retratar a realidade, seja de maneira cruel e direta ou com meios-tons.

Escritores da geração imediatamente posterior à sua, como Marçal Aquino e Paulo Lins, trazem traços fortes da literatura fonsequiana. Mas será que a influência dele ainda é visível na nova geração? Os escritores mais novos como João Paulo Cuenca e Fernando Molica, por exemplo, têm opiniões diferentes. "Os autores só não citam Rubem Fonseca para tentar fugir da sua sombra", diz o carioca Cuenca, autor de O Dia Mastroianni (2005), apontado como um dos expoentes da literatura atual e que considera ainda relevante a figura do autor mineiro.

Para Molica, autor de O Ponto da Partida (2008), a influência de Fonseca está diminuindo. "A produção atual dele já não justifica tanto barulho. E a influência não foi apenas sobre os autores, mas também na crítica, que, em alguns casos, exagera sobre a presença da marca Rubem Fonseca na produção contemporânea. A simples existência de um homicídio passou a ser vista como fruto de influência fonsequiana".

Na literatura brasileira, a predominância da tendência realista é um dos fatores responsáveis pela discussão da herança de Fonseca na prosa de outros autores. Tal fato é endossado pelo paulista Marçal Aquino. "Ele foi de fundamental importância na minha formação como escritor. Na minha opinião, qualquer autor brasileiro contemporâneo que incursionar pelo universo da narrativa policial deve algo a ele", diz. Para a carioca Adriana Lisboa, hoje existem outras vertentes na literatura brasileira aparecendo com tanta força quanto a prosa orientada por Rubem Fonseca. "Isso não significa que a importância e a influência dele estejam sumindo. Apenas que a diversidade é maior e mais aparente", diz a autora de Rakushisha (2007).

As duas gerações (de Marçal Aquino e dos novos autores) apresentam como traços comuns uma prosa urbana, ágil e - em alguns casos - o tratamento da violência como forma de denúncia social. Mas a temática não se restringe a isso. Também não significa que uma geração seja a única responsável pelas distintas nuances na abordagem dos autores. "Acho que a divisão geracional se presta unicamente a facilitar as análises críticas. Literatura é sempre continuidade - eu não escreveria se não tivesse lido os autores que me precederam", afirma Marçal. Molica, por exemplo, é dois anos mais novo do que Marçal, mas publicou seu primeiro livro apenas em 2002, aos 41 anos. "Sou um autor novo ou veterano? Vale o critério do ano de nascimento ou o da estréia em livro?", questiona ele.

A narrativa policial, tão característica de Fonseca, trouxe a agilidade na linguagem da literatura brasileira, mas a herança do escritor não chega a restringir os temas tratados pelos autores que o sucederam. Prova disso é a diversidade de obras de qualidade no mercado hoje que têm como pano de fundo temas diversos dos tratados por Rubem Fonseca.

 

11/02/2009

ana mariáh - diz:
Acho fantástica a obra de fonseca,ele tem coragem o bastante para escrever do jeito dele,sem se preocupar com o que os outros vão pensar.ja li tudo que ele escreveu e adoro.

23/11/2008

Roseli Marinheiro - diz:
Dificil classificar que um unico escritor possa influenciar tanto a ponto de criar uma divida para outros, principalmente nos tempos atuais quando a quantidade e diversidade de informacoes sao imensuraveis. Isto nao tira o merito de Ruben Fonseca, por sua qualidade literaria e paixao pela escrita. Por sinal, gostaria de saber quando Ruben Fonseca estara no Mexico para A Feira de Livros de Guadalajara, vivo no Mexico e planejo visitar a feira nos proximos 2 finais de semana.

16/11/2008

Octavio Perelló - diz:
O que aprecio em Rubem Fonseca é que o "brutalismo" com o qual foi classificado por Alfredo Bosi, o texto direto e as referências eruditas jamais comprometeram a dimensão humana de seus personagens. Não vejo problema na sua sombra sobre nós, até nos protege do sol bestificante da literatura confessional (aquela que nunca deveria ter saído dos diários pessoais!) a qual ciclicamente somos confinados. Quanto aos novos autores, apesar de um ou outro bamba que sempre teremos, considero que os africanos tem ousado e produzido bem mais e melhor do que nós.

23/09/2008

Rodrigo Capella - diz:
Ninguém deve nada a ninguém. O escritor se influencia naturalmente, pois le muito, pesquisa muito. É um absurdo falar em dívida. O conhecimento não pode ser medido, nem quantificado.

16/09/2008

Gustavo Soares de Lima - diz:
Rubem Fonseca ou sociedade em caos. Que influência mais? Será que Sófocles não influencia mais ninguém ou é a grécia antiga que se foi?

15/09/2008

eugênio - diz:
e voltamos à angústia da influência....

15/09/2008

Rafael Melo - diz:
Não acompanhei tanto assim a trajetória literária de Rubem Fonseca, mesmo porque sempre fui muito mais ligado à literatura internacional, mas acredito que a revolução de Fonseca foi mais no sentido da temática, e não da forma. Fonseca trouxe a realidade, muitas vezes cruel, suja e violenta, para o ambiente literário. Hoje, isso continua, mas como disse a Adriana Lisboa, esse estilo hoje já convive com outras vertentes.

15/09/2008

fabiano - diz:
não gosto de rubem fonseca. acho que ele escreve mal. raymond chandler dá de mil a zero nele.

15/09/2008

Paulo Bentancur - diz:
Gostei muito do que disse o Marcelo Moutinho, sobretudo neste trecho: "o jornalismo cultural brasileiro durante um bom tempo privilegiou autores cujo registro é mais realista (e menos intimista, por assim dizer), o que acabou dando a impressão de que nossa 'nova' literatura se limitava a esse tipo de registro." Na verdade, concordo apenas que o Marçal Aquino é parente – e distante – do Fonseca. Parente pelo gênero e temas. Mas distante pela forma, já que o Marçal é mais seco, mais "marginal", e não se utiliza dos referenciais semi-eruditos da ficção de Fonseca. Sem contar que o grande Fonseca foi até O COBRADOR, anos 80. Depois veio um "segundo Fonseca", pressionado pela industrial editorial a fabricar romances que só mesmo seu talento o impediu de cair no desastre. Desastre que considero ter atingido a Patricia Melo, que não hesitou em seguir a batuta dele (perdendo voz, o que um autor não pode fazer nunca). Mas então ele já não era o gênio da história curta que foi nos anos 60/70. Esta é UMA questão (os dois Fonsecas); a SEGUNDA, como bem aponta a Adriana Lisboa, é que a literatura brasileira - como o Brasil - é pra lá de diversificada. Um gênio como o Dalton Trevisan, por exemplo, nem chega a ter seguidores, fica sobrando, vejam que luxo... E temos uma nova visão realista, sim, mas social, não urbana, como a de Luiz Ruffato, ou psicológica, como de Cristovão Tezza, ou híper inventiva e sem classificação, como de Joca Reiners Terron. Enfim, exageram a influência de Rubem Fonseca. Se ela foi grande, já FOI: isso se deu durante AINDA a busca pela redemocratização, quando estávamos cegos frente a possíveis caminhos estéticos, e só nos restava o discurso panfletário contra a ditadura ou... tentar imitar Fonseca! Ninguém o imitou. Os grandes são inimitáveis. Tanto que o talento indiscutível do Marçal, o único "quase legitimamente fonsequiano" entre nós, garante-lhe a independência. Acho a questão, senão falsa, atrasada.

15/09/2008

Rodrigo Carvalho - diz:
Rubem Fonseca era um bom escritor, para os padrões nacionais, mas Antônio Callado era bem melhor e anda mais esquecido ainda.

15/09/2008

Lara Dias - diz:
Idenpendente de influência ou não, Fonseca, já é um e sempre será um dos grandes nomes da literatura nacional. Ele é único.

15/09/2008

Lara Dias - diz:
Idenpendente de influência ou não, Fonseca, já é um e sempre será um dos grandes nomes da literatura nacional. Ele é único.

15/09/2008

Ygor Moretti Fiorante - diz:
Creio que seja natural um artista em dado momento se desprender daqueles que o influenciam, por outro lado é normal que outros nunca façam tal transição. Contudo, há de se ter cuidado ao identificar a influencia de Rubens nos autores mais "novos" por meio dos temas, pois violencia, metropoles e a crueldade humana, são temas que requerem constantes estudos ou investidas, "estudos" que tanto na literatura quanto no cinema para citar um exemplo, vão sendo explorados através de diferentes prismas. Tendo em vista o fenomeno Cidade de Deus e todas as outras produções que o sucederam. Na literatura é certo que Rubens Fonseca será sempre uma importante referência, um icone, ainda que em certo momento não seja mais uma influencia palpitante e clara nas novas produções.

12/09/2008

Sônia Cândido - diz:
Acho a obra de Fonseca muito rica e provocativa. A condição humana é tratada, pelo autor, de maneira desnuda de enfeites e intrincada de instintos e sentimentos. Recentemente assisti ao filme: estômago e, no final, senti o no ar o toque sarcástico e reflexivo desse autor cheio de bossa.

12/09/2008

Marcelo Moutinho - diz:
O problema dessas abordagens é a generalização. Nos meus contos, posso garantir, não a mínima sombra de Rubem Fonseca - com todo respeito ao grande autor que é (ou foi), e desta forma fico bem à vontade para não mencioná-lo como 'influência'. Mas a questão maior, acredito eu, é que o jornalismo cultural brasileiro durante um bom tempo privilegiou autores cujo registro é mais realista (e menos intimista, por assim dizer), o que acabou dando a impressão de que nossa 'nova' literatura se limitava a esse tipo de registro. A evidência de que não é bem assim, como afirmou a Adriana, é uma questão de aparência. Hoje, felizmente o espaço é mais diverso, então o trabalho de autores que correm em outras veredas também 'aparece'. O que me parece ótimo, aliás.

12/09/2008

Marcelo Moutinho - diz:
O problema dessas abordagens é a generalização. Nos meus contos, posso garantir, não a mínima sombra de Rubem Fonseca - com todo respeito ao grande autor que é (ou foi), e desta forma fico bem à vontade para não mencioná-lo como 'influência'. Mas a questão maior, acredito eu, é que o jornalismo cultural brasileiro durante um bom tempo privilegiou autores cujo registro é mais realista (e menos intimista, por assim dizer), o que acabou dando a impressão de que nossa 'nova' literatura se limitava a esse tipo de registro. A evidência de que não é bem assim, como afirmou a Adriana, é uma questão de aparência. Hoje, felizmente o espaço é mais diverso, então o trabalho de autores que correm em outras veredas também 'aparece'. O que me parece ótimo, aliás.

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