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Teatro e Dança
Nelson Kao
A atriz Iara Jamra com o escritor Antonio Prata, autor do monólogo Arthur, que inaugurou a exibição ao vivo do Teatro Para Alguém
A atriz Iara Jamra com o escritor Antonio Prata, autor do monólogo Arthur, que inaugurou a exibição ao vivo do Teatro Para Alguém

 

Dezembro/2008 | Assunto do dia

Teatro pela internet é teatro?

Para Renata Jesion, idealizadora do Teatro para Alguém, é sim. E pode ser mais: a possibilidade de descobrir uma nova linguagem, híbrida do cinema, TV e novas tecnologias interativas

Laila Abou Mahmoud

• Conheça o Teatro Para Alguém

 

"- Você tenta não chegar mais que sete, senão vou morrer do coração", diz Renata Jesion, idealizadora do Teatro Para Alguém, em um dos inúmeros telefonemas que atende durante a entrevista à BRAVO!. A entrevista é dada no dia da gravação da primeira minipeça a ser exibida ao vivo, em meio à organização. "O problema do teatro, como diria Fernanda Montenegro, é que o santo tem de descer de hora marcada", diz, explicando um dos motivos pelos quais decidiu fazer teatro em sua própria casa e por que exibir tais produções pela internet é, sim, teatro.

 

Quem vê os preparativos e ensaios diria que é tão ou mais trabalhoso fazer teatro pela internet do que da forma convencional. No caso de Renata, o "santo" tem de baixar delivery: as minipeças e séries são filmadas na sala de sua casa. É lá que se reúne a equipe de profissionais de teatro e cinema que pretendem, juntos, descobrir uma nova linguagem, híbrida, mas que não se assemelhe a outras iniciativas já realizadas de teatro pela televisão.

 

Renata Jasion, atriz e diretora de teatro que já trabalhou com nomes de peso do teatro como Antunes Filho e Gerald Thomas, acredita que um dos trunfos do Teatro Para Alguém é que o espectador não precisa sair de casa - o que, numa metrópole, significa gastar dinheiro, pegar trânsito, enfrentar grandes distâncias. Seu projeto, no entanto, só tem recursos para ser realizado por mais dois meses. A partir desse período, será necessário a verba de patrocinadores. O que pode significar até merchandising em cena, cogita a atriz.

 

A sala de Renata foi eleita o teatro oficial da companhia por ser o único cômodo da residência com pé direito alto, o que permite brincar com as dimensões de luz e profundidade. Para simular a caixa negra que serve de palco para os artistas, quatro cortinas fecham as entradas de luz. Para completar o aparato técnico, 12 refletores, uma mesa de som de 12 canais e uma câmera.

 

A diretora acredita que o que estão criando é teatro. Mas pode ser muito mais, algo ainda inominável. "Assim como a música e outras vertentes artísticas já descobriram novos caminhos a partir da era digital, o teatro inicia agora esse processo de descoberta", diz Renata. Mas reconhece que o ideal seria mesmo que todas as produções fossem feitas ao vivo, o que as condições técnicas ainda não permitem.

 

A busca pela nova linguagem não significa ausência de regras. Há uma espécie de "Dogma" (movimento cinematográfico dinamarquês cujo manifesto ficou conhecido pelas suas normas para produção) no Teatro Para Alguém. Entre essas regras está, por exemplo, a que determina que todas as filmagens sejam feitas em plano-seqüência. Há temporadas, e elas duram um mês para cada peça. Para assistir às transmissões ao vivo, é permitido um público de no máximo 100 espectadores online. Os que não couberem nessa lotação poderão assistir depois às gravações armazenadas no site. Para as séries que não são exibidas ao vivo, são feitos no máximo dois takes de cada plano. "Não fazemos 30 takes como no cinema", diz Renata - embora admita que, na primeira experiência, a equipe acabou realizando oito filmagens. Nada pode ultrapassar 10 minutos, ou então é cortado em blocos. E sempre, ressalta, uma única câmera é utilizada.

 

Há especificações também para dramaturgos e atores. As interpretações são teatrais, fugindo do naturalismo. Os autores dos textos, de preferência, não são dramaturgos. Esse é o caso de Antônio Prata, escritor convidado para criar, especialmente para o projeto, uma MiniemCena - mini-peça quizenal de 3 a 8 minutos filmadas ao vivo. Escreveu Arthur, monólogo com Iara Jamra, que interpreta a mãe de um delinqüente. A personagem narra a vida de seu filho desde a infância, se auto-enganando quanto ao caráter do rebento. Lourenço Mutarelli e Mário Bortolotto também participaram do projeto. O primeiro com a "Miniemsérie" Corpo Estranho e o segundo com a peça Deve Ser do Caralho o Carnaval em Bonifácio.

 

Para a professora Heloísa Cardoso Villaboim de Carvalho, coordenadora do curso de Artes Cênicas da Unicamp, a iniciativa pode ser muito inovadora e interessante, mas dificilmente poderá ser considerada teatro. "Não desmereço a iniciativa, mas é outra coisa. O teatro tem uma relação efêmera, aquele momento único em que o público está presente e a peça é apresentada ao vivo. No teatro pela internet, é uma relação diferente", diz.

 

O Teatro para Alguém teve 1500 visitas nas 24 primeiras horas, com espectadores de pelo menos oito países. Um público que não seria visto em qualquer sala de teatro do país.

 

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01/10/2009

thiffanny jackson - diz: [red]não entendi nada e vcs????????se vc entendeu me fala??????por favor???? obrigada(o)

12/12/2008

Rafaela Lourenço - diz:
Concordo plenamente com o Thiago Tavares, teatro não é. Mas pode ser chamado de teacine, ou cineatro. Uma linguagem diferente e inovadora adaptado à um mundo tecnologico.

12/12/2008

user - diz:
acho legal

12/12/2008

Rafaela Lourenço - diz:
Concordo plenamente com o Thiago Tavares, teatro não é. Mas pode ser chamado de teacine, ou cineatro. Uma linguagem diferente e inovadora adaptado à um mundo tecnologico.

11/12/2008

Bruno - diz:
Dogvile não seria um exemplo disso, e essa série Capitu??

11/12/2008

Thiago Tavares - diz:
A busca por uma nova linguagem é muito válida, mas falar que é teatro, isso não, como disse a professora Heloísa Cardoso, o teatro tem uma relação efêmera, a magia do ao vivo, do sentir o ator, do momento único. A arte do teatro está justamento no fazer e ser visto ao vivo.

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