Dezembro/2008

Especial 100 Design

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GARRAFA DE COCA-COLA
Alexander Samuelson e Earl Dean

Formato curvilíneo foi responsável por transformar essa embalagem em um dos ícones mais identificáveis do mundo

A história da Coca-Cola começou no quintal da casa do farmacêutico americano John Styth Pemberton (1831-1888), na cidade de Atlanta, em 1886. Ele desenvolvia um xarope para curar dores de cabeça que, acidentalmente misturado com água gasosa, resultou na base do refrigerante mais popular de todos os tempos. Para isso, o produto contou com uma embalagem que conseguiu traduzir, nas suas formas curvilíneas, o exotismo do sabor, no mais bem-sucedido caso em que a apresentação correspondia ao produto.

Em 1894, o americano Joseph A. Biedenharn, proprietário da Biedenharn Candy Company, foi o primeiro a colocar a Coca-Cola numa garrafa de vidro. O logotipo da marca é uma criação de Frank Robinson, escriturário novato na empresa, que elaborou, com a própria caligrafia, tanto as letras quanto o primeiro slogan ("Deliciosa e refrescante") impressos diretamente no vidro. Foi uma alternativa aos rótulos de papel que dificilmente permaneciam fixos na garrafa e um modo de identificar qual bebida estava contida naquela garrafa. Nos Estados Unidos, a comercialização de refrigerantes em garrafas começou em 1807.

A bebida, com sabor de noz-de-cola obtido de forma sintética, logo caiu no gosto da população. Em 1892, foram vendidos cerca de 3 milhões de garrafas, um fenômeno sintomático do consumo de massa, e, conseqüentemente, do processo de industrialização que já se apresentava forte nos Estados Unidos. Naquela época, a fábrica da Coca-Cola ainda engatinhava, mas seus dirigentes já elaboravam planos para que o produto se diferenciasse no mercado. E para isso era necessário abolir os contornos básicos da origem medieval da garrafa, com as laterais retas.

Em 1913, Harold Hirsch, advogado da Coca-Cola, voltou a ressaltar a necessidade de um novo modelo de garrafa, mas nada foi feito até 1915, quando finalmente os dirigentes da empresa contataram inúmeros designers para desenvolver um projeto para uma embalagem especial. As propostas foram elaboradas e enviadas atendendo aos seguintes requisitos: design exclusivo, manuseio simplificado, custo compatível com a produção em escala e potencial de reconhecimento imediato. O modelo da Root Glass Company, de Terre Haute, Indiana, foi o escolhido. Na justificativa de seu projeto, a empresa ressaltou que a garrafa era tão única que poderia ser identificada no escuro, pelo tato.

Chapman J. Root, fundador e presidente da Root Glass, entregou o projeto a uma equipe supervisionada por Alexander Samuelson (1862-1934). O designer sueco, especializado em vidros, chegara aos Estados Unidos com 20 anos. Foi tentar a vida em uma empresa de vagões de trens de Chicago, mas vinha da Suécia com experiência na indústria de vidro. Não demorou e foi contratado por uma fábrica desse setor em Illinois. Empenhado e ambicioso, em 1895 ele assumiu a presidência da corporação e, por isso, chamou a atenção dos dirigentes da Root Glass Company, que o convidaram para juntar-se à equipe.

Samuelson aceitou. Seu grupo de trabalho incluía, ainda, o americano Earl R. Dean, um famoso designer de garrafas, o auditor T. Clyde Edwards, o secretário Roy Hurt e o filho do presidente da Root, William R. Root. Para criar um esboço da garrafa, Clyde Edwards se inspirou na forma da noz-de-cola. Earl Dean opinou e, juntos, submeteram a idéia a Samuelson. A partir dessa pesquisa, Earl Dean desenvolveu uma garrafa com a parte central mais alargada que ia se afilando até a base.

Um número limitado desse modelo chegou a ser produzido na época de modo semi-artesanal, mas os equipamentos de produção em escala de embalagens de vidro disponíveis na época não eram adequados para fabricar o formato proposto pelo grupo de Samuelson, que se viu obrigado a passar grande parte do verão redesenhando a garrafa.
Até chegar ao modelo de Samuelson e Dean, outros cinco foram desenvolvidos. Ao longo das décadas, houve muitas tentativas de abocanhar o mercado com outras novidades, mas a clássica garrafa curvilínea da Root Glass Company, batizada de garrafa contour (contorno, ou silhueta, em francês), prevaleceu. O formato inovador representava bem as diretrizes do design americano da época, que tinha como base o streamline, termo usado para definir a aplicação da aerodinâmica - por meio das formas arredondadas. Com acabamento suave em forma de lágrima, buscava-se diminuir a resistência do ar. Também apresentava certa feminilidade, motivo que fez a garrafa de Coca-Cola ser, nos anos 1920, popularmente chamada de Mae West, uma alusão à atriz de teatro e cinema americana que também era famosa pelas formas sensuais de seu corpo.

A patente da garrafa contour foi registrada em nome de Alexander Samuelson, em 16 de novembro de 1915, e o modelo da garrafa de 237ml só começou a ser comercializado em dezembro de 1916, um ano antes da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra. A garrafa da Coca-Cola foi um dos primeiros recipientes de vidro patenteado apenas por sua forma distinta. O design ganhou uma nova patente em 25 de dezembro de 1923, que expirou em 24 de dezembro de 1937. Entre 1951 e 1960, a garrafa passou a ser protegida pela Lei de Direitos Comuns como um símbolo de identificação da Coca-Cola. Em 1960, o U. S. Patent and Trademark Office concedeu à garrafa o status legal de "Marca Registrada", distinção conferida a poucas embalagens. De fato, a empresa estava certa quanto ao modelo curvilíneo - também chamado de hobbleskirt bottle -, similar às saias longas e mais justas na altura dos joelhos muito populares entre 1910 e 1914, que se tornou um dos objetos mais conhecidos do mundo.

Com o passar do tempo, surgiram modelos de alumínio e de plástico - que mantiveram a curvatura do modelo original. Ainda assim, a Coca-Cola não abandonou a tradicional garrafa de vidro que, já faz tempo, é também um item bastante disputado por colecionadores.

AUTOR: Alexander Samuelson e Earl Dean para Root Glass Company
MATERIAL:Vidro
ANO: 1915

• 2º lugar - Garrafa de Coca-Cola - Alexander Samuelson e Earl Dean
• 10º lugar - iPod - Jonathan Ive e Apple Design Group
• 27º lugar - Cadeira Wassily - Marcel Breuer
• 30º lugar - Fusca - Ferdinand Porsche
• 40º lugar - Saca-rolhas Anna G - Alessandro Mendini
• 51º lugar - Isqueiro Zippo - George Grant Blaisdell
• Conheça outros objetos presentes na lista na galeria a seguir

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