
Janeiro/1998 | Assunto do dia
Fabio Cypriano, em Estocolmo
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"Eu não me interesso em como fazer um movimento, mas em por quê." A frase da coreógrafa Pina Bausch é a síntese perfeita de sua obra, consolidada em 25 anos à frente do Tanztheater Wuppertal, na Alemanha. A data é comemorada neste mês com uma grande festa, que durante 20 dias vai reunir várias companhias, entre as quais a belga Rosas, o bailarino Mikhail Baryshnikov, grupos de hip-hop alemães e franceses e até o cantor Caetano Veloso. Todos os artistas vão se apresentar sem cobrar cachê, como um presente a Bausch.
A variedade dos convivas, que à primeira vista podem parecer inconciliáveis, retrata com fidelidade a personalidade da coreógrafa, que transformou os rumos da dança no século 20. O seu gosto pela diversidade se reflete também na origem dos 25 bailarinos da companhia, vindos de 15 países diferentes. No palco, eles cantam, suspiram, choram, arremetem contra a parede e falam, muitas vezes em sua língua natal. Por isso é comum escutar textos em português, graças à presença das bailarinas brasileiras Regina Advento e Ruth Amarante.
É claro, os bailarinos também dançam - sobre terra, água, flores, grama, granito, tijolos, porque, diz Bausch, "eu gosto de ver a interferência desses elementos orgânicos no movimento" -, ainda que na dança-teatro da coreógrafa o importante não seja apenas a dança. Bausch trata, em suas 30 peças à frente da companhia Wuppertal, de questões existenciais, como a solidão, mas também o amor e a alegria: afinal, diz ela, é preciso contrabalançar a tristeza do mundo. Além dos temas, os cenários deslumbrantes, mas simples, sem o uso de recursos tecnológicos sofisticados, põem o bailarino em primeiro plano, construindo um teatro centrado essencialmente no humano. Foi sobre esse trabalho, a festa de 25 anos e a possibilidade de criar uma peça sobre o Brasil que Pina Bausch falou, com exclusividade, a BRAVO!, em Estocolmo, durante a temporada de seu grupo na capital cultural da Europa de 1998.
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