Maio/2009

Ópera funciona no cinema?

O Metropolitan Opera de Nova York passou a apresentar suas produções nos cinemas de diversos países, em alta definição e som digita, com a ideia de levar os espetáculos a um público maior. Mas, o que uma arte feita para o teatro perde e ganha ao ser adaptada para o cinema?

Por Gabriela Rassy

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Em uma iniciativa no mínimo bem intencionada, o Met - Metropolitan Opera - de Nova York exibe suas montagens nos cinemas dos Estados Unidos, Europa e, agora, Brasil. A prática foi adotada em dezembro de 2006 por esse que é um dos mais importantes grupos de ópera do mundo. Contudo, as exibições ao vivo são uma novidade apenas para as telonas. No rádio, as transmissões do Met são feitas desde 1931.

Por aqui, com os municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo fechados para reformas, as únicas opções ao vivo para os brasileiros se concentram nos festivais de Belo Horizonte, Belém e Manaus, este último até o dia 28 de maio.

Público

A ópera no cinema, além de saciar seu restrito público, pode ajudar na formação de uma nova plateia, como acredita o jornalista e colaborador de Bravo! Irineu Perpetuo. Para ele, este é, sem dúvida, o sentido dessa ação do Met. "A musica clássica está tentando se reinventar há anos e essa é uma ótima forma de se modernizar e atrair público", disse.

Do outro lado do palco, o barítono Homero Velho enxerga a iniciativa apenas como uma saída para os amantes do gênero que, como em São Paulo e Rio, estão sem opções. "Essas pessoas vão ao cinema por falta de oportunidade de ir a uma ópera ao vivo ou porque têm curiosidade de ver uma produção do nível do Metropolitan", disse. A experiência ao vivo é certamente indispensável, mesmo porque, este é um gênero de apresentação que é feito para ser visto no teatro. Assim, Homero afirma que a preocupação maior da performance deve ser quem está no teatro, não na sala de cinema.

A formação de novo público, segundo o cantor, não acontece, pois quem vai ao cinema ver ópera já tinha interesse prévio. Os "curiosos", como ele chamou, podem ir ao cinema, mas dificilmente iriam a uma ópera ao vivo. "É um pouco como a questão dos três tenores: as pessoas vão assisti-los, não às óperas que eles cantam. Muita gente apostava que eles fariam o público reverter para os teatros, e não se viu nada acontecer", exemplificou o barítono.

Formato

As sessões de cinema do Met são uma experiência muito diferente de uma ópera vista no teatro. A intenção, no entanto, não é concorrer com elas, mesmo porque as filmagens são feitas em um formato novo, com imagens dinâmicas, cenas de bastidores, panorâmicas e closes. Assim, o espectador vê cenas e ângulos que não veria na apresentação do palco. É um formato diferente até mesmo dos DVDs de música clássica. "Eles assumem que aquilo não é a simples documentação do espetáculo e sim outra linguagem. Não está competindo com o ao vivo. Isso seria como dizer que o livro de arte concorre com o MASP. É um fator multiplicador da experiência", disse Irineu.

Outra grande mudança no formato é que o espetáculo no cinema traz legendas em português, o que, segundo Irineu, torna a experiência atraente para o público. "É bacana, ainda mais para nós sabermos o que está se fazendo por aí, ter referências", disse.

De acordo com Homero, toda essa tecnologia de transmissão não quer dizer muita coisa pra ópera que é feita no teatro, apesar de existir uma preocupação maior com relação ao acabamento dos cenários, figurinos e maquiagem. "A ópera é teatro. Quem vai ao cinema escuta uma mixagem onde a voz está sempre clara e cristalina e muito sobreposta à orquestra, o que não é real. A comunhão entre os diferentes aspectos de uma récita de ópera é drasticamente alterada quando aquilo que se passa num palco é transmitido numa tela plana, entre outros motivos, pela visualização do espetáculo, que no teatro é tri-dimensional", disse.

Próximas sessões do Met no cinema:
La Cenerentola, de Gioachino Rossini - dias 24, 25 e 26 de maio
Cinemas e horários variados, em São Paulo
Mais informações no site MovieMobz

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06/08/2009

angela cunha - diz: Angela Cunha - diz: Adorei esta programao e espero que se repita sempre. Apesar de mdias diferentes, o resultado em salas especiais no reduziu em nada o resultado. Pelo contrrio,nos d a possibilidade de assistir a estas produes maravilhosas, com ingressos baratos, em salas confortveis,com lugares marcados, som maravilhoso,divulga a pera e cria novas platias. Programa fantstico!

25/05/2009

Ana Paula Latrova Macedo - diz: claro que so experincias diferentes, mas a iniciativa acrescenta possibilidades para apreciar essa arte. Amei.

22/05/2009

Simon Brunstein - diz: No h o que negar, a opo cinematogrfica muito benvinda! Acho tolice as crticas bvias sobre prs e contras. Eu gosto, e muito, pronto! Eu escutei pera desde criana, num lugar remoto do estado, num radiosinho de vlvula. Nem sabia que existia um "Metropolitan" ou "Scala". Meu encanto s continua a aumentar!

21/05/2009

Luiz Carlos Santos - diz: A iniciativa louvvel, na minha opinio. Em tempos em que as mdias se misturam, convergem e se complementam, legal levar pera para a sala escura do cinema, onde, em geral, vemos muita bobagem. As pessoas esto sequiosas de opes. Apoio e quero logo ver mais uma (j vi Madama Butterfly aqui em Belm).

20/05/2009

Thiago Tavares - diz: A pera igual o teatro, uma arte efmera, quem viu, viu, esse o barato. Levar a pera para o cinema interessante pois faz com que mais pessoas possa conhecer esse tipo de arte, criar gosto por esse tipo de msica e a partir dai ela vai procurar um teatro para assistir uma pera e ver o quanto melhor. Levar a pera para os cinemas uma boa idia para difundir essa arte .

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