
Abril/2009 | Assunto do dia
Gabriela Mellão
Assista ao vídeo em que frequentadores explicam por que vêm à Praça.
O bar está lotado, a cerveja é geladíssima e a conversa, animada. Camisetas de bandas de rock, regatas, minissaias de brechó e coturnos vestem um público predominantemente jovem. Como num pub londrino, perto da meia-noite toca uma sineta. Ao contrário do que ocorre na Inglaterra, o toque não indica o fim da festa, mas o início do espetáculo. Afinal, não estamos num pub, mas no teatro. Mais precisamente no Espaço dos Satyros 1, localizado na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Regatas, minissaias e coturnos se encaminham para a sala onde terá lugar a estreia de Natureza Morta, peça do premiado dramaturgo Mario Vianna dirigida por Eric Lenate.
A praça Roosevelt se beneficiou de uma mudança recente na vida boêmia de São Paulo, que se deslocou para a região da rua Augusta, próxima à praça. Com isso, o teatro passou a disputar a atenção do público jovem com o cinema e o rock — e, por incrível que pareça, levou vantagem. "A praça trouxe mesmo os jovens de volta ao teatro", afirma o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, ele próprio um frequentador do local. Paiva tem uma teoria sobre isso. "A dramaturgia que surgiu com o Teatro de Arena nos anos 60 e apresentou peças em novo formato aproximou muita gente do teatro. Ela ficou esquecida por muito tempo e ressurgiu na praça", diz o escritor, que também é dramaturgo e ganhou um novo entusiasmo pela arte teatral graças à Roosevelt.
Quando Os Satyros se estabeleceram na praça, a temporada teatral da cidade se resumia às sessões dos fins de semana. "Até a quinta-feira havia sido abolida", diz o diretor Ivam Cabral. Ele foi chamado de louco ao montar uma programação pouco usual, que não demorou a se estender para todos os dias da semana, em horários variados. Foi aí que teve uma ideia que se revelou genial: criar a sessão da meia-noite de sexta e sábado, o atual horário nobre da Roosevelt. Isso integrou o teatro à vida noturna da cidade. Assistir a uma peça no lugar passou a ser algo para fazer depois da happy hour e antes da festa, numa cidade cuja vida noturna começa por volta das duas da manhã. A sineta que lembra os pubs londrinos acabou se tornando uma marca registrada da praça. É ela que marca o sinal que antecede as peças.
São sete os teatros da Roosevelt — incluindo o novo que abre no dia 17 deste mês, batizado de Miniteatro e dirigido pela dramaturga Marília Toledo e pelo diretor Kleber Montanheiro. Mais do que garantir a sobrevivência dos grupos, atrair os jovens e se integrar à efervescente vida noturna da cidade, a praça Roosevelt é, acima de tudo, um grande ponto de encontro — onde artistas conhecem artistas e todos entram em contato com um público crescente que vai lá não apenas pelas peças, mas também pelo agito. "A partir dos Satyros, a praça passou a reunir teatros e bares próximos uns aos outros, tornando-se um lugar propício ao encontro entre artistas e boêmios", diz o veterano diretor José Celso Martinez Corrêa.
CONVERSA DE BAR: "quer dirigir? Quero!"
Se existe um mestre-de-cerimônias desse espaço onde atores buscam personagens e autores quem os encene, ele se chama Mário Bortolotto. O dramaturgo e diretor, fundador do grupo teatral Cemitério de Automóveis, reclama que a praça anda muito "crowdeada" (gíria anglófila para lotada), mas não sai de lá. Está sempre em cartaz em seus teatros e bares. Bortolotto faz da Roosevelt uma extensão de sua casa, que fica próxima. Diariamente, ou quase, encontra os amigos no Espaço Parlapatões, conversa e bebe. As noitadas não atrapalham sua produtividade. Considerado o principal herdeiro de Plínio Marcos, Bortolotto acha que a praça é importante até para seu trabalho como dramaturgo. "As pessoas com quem encontro e converso me inspiram", afirma.
O outro grande agregador de gente da classe artística no local é o escritor Marcelo Rubens Paiva. No início, ele ia apenas para encontrar os amigos. Não demorou a ser fisgado pelo teatro. "Sou daqueles que vão e assistem", afirma Paiva. Por causa da Roosevelt, ele se tornou diretor. "Encomendaram um texto a mim. Precisavam de um diretor. Aí, um dia, eu estava ali, no bar, olharam para minha cara e disseram: "Quer dirigir?", conta ele, que atualmente está em cartaz no Sesc Avenida Paulista com A Noite mais Fria do Ano, peça da qual assina texto e direção, ao lado de Fernanda D'Umbra, outra assídua da praça. O elenco reúne vários de seus companheiros de bar: além de Bortolotto e Hugo Possolo, dos Parlapatões, os atores Paula Cohen e Alex Gruli. Ou seja, um típico caso de interação entre boemia e teatro.
Está longe de ser o único. A presença constante de Bortolotto, Paiva e vários outros diretores e dramaturgos atrai artistas que vão à praça para fazer networking, ou seja, conhecer gente e encontrar trabalho. Segundo a atriz Giovanna Velasco, da Cia. Satéllite, o burburinho do local rende contratos sobretudo para os que não estão procurando. "Ator mais novo, que se arruma todo para vir à Roosevelt na maior expectativa, geralmente volta para casa frustrado", diz ela, que, graças às noitadas passadas na praça, conheceu a produtora de Os Descolados, uma nova série da MTV, e se integrou ao elenco. A atriz, que morou três anos na Espanha, compara a ebulição intelectual da Roosevelt à do bar Marsella, da Barcelona dos anos 50 do século 20, que era frequentado por Pablo Picasso, Salvador Dalí e outros artistas revolucionários. "Como na Roosevelt, ali nasceram inúmeros projetos. A boemia é um palco para a criação."
O diretor Regis Trovão já admirava a arte feita pelos Satyros muito antes de começar a trabalhar com teatro. Ele se mudou para os arredores da praça no ano 2000 e acompanhou todo o renascimento da Roosevelt. A região que concentra o mercado financeiro, a chamada "City paulistana", fica perto da praça — e Trovão, que trabalhava lá, ia quase que diariamente ao teatro depois do expediente. Um dia, encontrou Mário Bortolotto na calçada do
Constantemente, as calçadas da Roosevelt exibem cenas surpreendentes, que poderiam estar dentro de suas salas de espetáculo. Como a ocorrida numa noite quente de março. Jovens, gente de meia-idade, senhoras e senhores dividem as mesas dos bares, com seus cabelos médios, curtos, compridos, pomposos, cheirosos, ensebados, raspados, espetados, de cores e texturas variadas. De repente, irrompem artistas vestidos de mendigos. Eles chamam atenção enquanto correm pela rua, com suas roupas esfarrapadas, balbuciando sons desconexos. Um deles para e se ajoelha no chão, obstruindo a passagem de um jovem tatuado, sem camisa. Atrás dele, uma família de negros é obrigada a diminuir o passo e contornar o performer. Por pouco não é atropelada por duas garotas emperiquitadas, que gargalham, concentradas na própria conversa. Até que um grito vindo do coração da praça rouba os olhares de todos: garotos são revistados pela Polícia Militar, corporação conhecida pela maneira pouco espalhafatosa com que faz esse tipo de coisa.
Com tantos atrativos e emoções, a Roosevelt ganhou frequentadores habituais, que não são necessariamente os mesmos que vão ao teatro em outros lugares da cidade. Um deles é o jornalista Jacques da Costa Carvalho, que vai ao local diariamente — e, de tanto frequentá-lo, comprou um imóvel próximo dali. "Aqui convivo com todo tipo de gente, dos bairros chiques e humildes, passando por celebridades como o governador José Serra, a apresentadora Adriane Galisteu e a jornalista Marília Gabriela", diz ele. A comerciária Graciela Monteserrat vai lá em busca de teatro e do ambiente festivo. Ela acha que há três tipos de público, os que só bebem, os que só vão ao teatro e os que fazem os dois programas (existe um quarto tipo: o que vai com a intenção de assistir a uma peça, toma a primeira, a segunda, a terceira e... "o que era mesmo que eu tinha vindo fazer aqui?").
O logradouro paulistano, como a Ipanema carioca dos anos 60, já começa a inspirar músicas. O compositor Luiz Pinheiro, que já compôs para Cássia Eller, resolveu tornar a praça sua musa. Eis alguns dos versos de Na Praça Roosevelt, escrita em parceria com Edu Castanho e Vanessa Bumagny:
Na praça Roosevelt
transexual fica grávida
e menino chora
na barriga da mãe.
Na praça Roosevelt
coisas lindas passam com graça
na calçada dessa praça
que não é de Ipanema
mas devassa.
Na praça Roosevelt
tem cults, tem kilts.
Casais se beijam
sob a chuva
e nos teatros
atores jovens dados e maduros
atuam orgias
orgasmos e amores impuros.
E você, por que frequenta a praça?
| 23/10/2009 life quotes [url="http://www.eliseogallery.com/Life-Insurance.html"]life quotes[/url] http://www.eliseogallery.com/Life-Insurance.html 405494 |
| 23/10/2009 homeowners insurance [url="http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html"]homeowners insurance[/url] http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html 33834 |
| 23/10/2009 homeowners insurance [url="http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html"]homeowners insurance[/url] http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html gbkdn |
| 22/10/2009 cheap life insurance [url="http://www.eliseogallery.com/Life-Insurance.html"]cheap life insurance[/url] http://www.eliseogallery.com/Life-Insurance.html =]] |
| 16/10/2009 http://www.perrysmusic.com/levitra.htm [url="http://www.perrysmusic.com/levitra.htm"]buy levitra[/url] buy levitra 527 http://www.perrysmusic.com/propecia.htm [url="http://www.perrysmusic.com/propecia.htm"]propecia[/url] propecia knulrr |
| 16/10/2009 accutane [url="http://www.perrysmusic.com/accutane.htm"]accutane[/url] http://www.perrysmusic.com/accutane.htm %-)) buy acomplia [url="http://www.perrysmusic.com/acomplia.htm"]buy acomplia[/url] http://www.perrysmusic.com/acomplia.htm 8[[ |
| 16/10/2009 [url="http://www.perrysmusic.com/propecia.htm"]propecia[/url] buy propecia http://www.perrysmusic.com/propecia.htm 666 [url="http://www.perrysmusic.com/accutane.htm"]accutane[/url] accutane http://www.perrysmusic.com/accutane.htm 9347 |
| 07/06/2009 Rui Xavier - diz: Que diabos é isso? Uma coluna social? Governador do Estado é "celebridade"? Que bagunça é essa? |
| 28/05/2009 Jaqueline Hirakawa - diz: Vou a praça pela simples de graça de estar na praça! |
| 22/05/2009 jaqueline faro - diz: vou a praça porque o ar artistico me faz sentir em casa! |
| 23/04/2009 Jana - diz: Porque a praça é nossa !!! Não é do nóia e nem do coxinha. Gosto tanto da praça que agora moro pertinho da praça e não tem mais lei seca pra mim ! Também, contribuo com menos um carro na rua... |
| 20/04/2009 Adriana Veríssimo - diz: Vou à Praça porque gosto de ver as pessoas, de observar as várias tribos, os teatros são charmosos,e as peças muito interessantes. |
| 18/04/2009 Sérgio Marino - diz: Resposta fácil. Vou à praça porque lá atuo em tempo integral, sabe, aquela gente me fascina. |
| 17/04/2009 Ana Paula Souza - diz: Eu vou à Praça porque lá, com certeza, vou encontrar gente que gosta de teatro. Mesmo quando não quero assistir a nenhuma peça. |
|
|