Outubro/2009

Conheça os ganhadores do Concurso "A Mulher Foge"

Leia as melhores respostas, cujos autores levaram um exemplar do novo livro de David Grossman para casa

Por Redação

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"Lidando com as carnes dos bois, ovelhas e porcos, meu avô fugia de lidar com as carnes dos inimigos. A II Guerra iniciava, ele sabia que seria chamado, mas enquanto trabalhava em seu açougue ignorava o futuro longe da esposa e do primeiro filho. Até o dia em que os franceses mais patriotas do que ele bateram em sua porta. Levou pouco, muito medo nos ombros. Como sabia tocar pistão, fazia parte da banda que acompanhava o exército e fazia o papel de galo das tropas no alvorecer. Uma noite, guardava o sono dos companheiros parado próximo a uma árvore. A bexiga apertou, não queria urinar em frente a outros colegas de ronda. Andou alguns metros e ouviu um estouro a suas costas. A árvore ardia com as chamas de uma explosão de granada. Não ouvi essa história de meu avô, mas de sua filha, minha mãe, ainda quando era criança e desejava saber mais sobre aquele que se fora."

Fabiane Langon Lorenzi, Porto Alegre, RS

 

"Conheci meus avós e sua história. Esta era uma história de guerra, e da maior de todas: a segunda. Minha avó nascera na Ucrânia, na vila de Yaroschivka, e a soma de altas decisões políticas dos líderes da época com medidas de força houve por bem mandá-la costurar pára-quedas em Krefeld, na Alemanha. Meu avô era de Volokolamsk, povoado célebre por sua resistência aos nazistas nos arredores de Moscou. Essa história, entretanto, desconheço: é um mistério, para mim, como ele acabou por servir na Áustria, preparando condições técnicas para combates aéreos.  E segundo me disseram, foi na Áustria que se conheceram e, logo depois, se casaram.  A guerra trouxe para eles a mudança - e uma mudança forçada. Foram obrigados a abandonar o que tinham ou, dada a crueza do modo de vida na União Soviética, o que não tinham. E foi da conjunção dessas histórias de soldados, prisões, namoros e noites mal dormidas que originou-se minha família, e eu próprio. É um sentimento ambíguo."

Gabriel Loretto Lochagin, São Paulo, SP

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