Edição do mês
Newsletter RSS Edições Passadas Twitter Fale com a Redação Folheie a Revista!
Revista Bravo!
Publicidada de Veja!

Literatura > A Revista
Literatura

 

Revista BRAVO! | Julho/2009

Confira exemplos de obras pensadas por artistas no fim da vida e estudadas por Edward W. Said

Para escrever a recém publicada coletânea de ensaios, o intelectual palestino Edward W. Said estudou durante anos as obras pensadas por artistas no fim da vida. Confira algumas delas, como um trecho do filme O Leopardo, de Luchino Visconti, poemas do greco-egípcio Konstantino Kafávis falando ora sobre sua cidade natal, Alexandria, ora sobra a invasão bárbara, em um dos poemas mais representaticos de sua obra.

Por Redação

• Leia a matéria de Jonas Lopes

A cidade
Tu dizias: "Irei para outras terras, outros mares
em busca de cidade melhor do que esta.
Aqui, todos os meus esforços são natimortos.
Meu coração - amortalhado - aqui se enterrou.
Por quanto tempo minha alma permanecerá no abandono?
Para onde meus olhos se voltem, até onde a vista alcança,
vejo os negros escombros de minha vida,
que vivi, estraguei, destruí aqui".

Não encontrarás outras terras nem outros mares.
A cidade te seguirá. E nas mesmas ruas sem fim
errarás, nos mesmos bairros te perderás,
e nas mesmas moradas teus cabelos embranquecerão.
Onde quer que vás reencontrarás esta cidade.
Para ti nenhum barco, nenhum caminho alhures te levará.
estragastes a vida em toda parte, pelo mundo inteiro,
e mesmo aqui, nesta mínima pátria.

Konstantinos Kaváfis
Tradução: Priscila Manhães

 

À Espera dos Bárbaros
O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

Konstantinus Kavafis
Tradução de José Paulo Paes

O Leopardo

 

 

Cosi fan Tutti

 

 

Quarteto nº 14

 

Expediente | Assine BRAVO! | Newsletter | Fale conosco | Mapa do site | Política de Privacidade | Anuncie na Bravo!