Emicida - Nossa Aposta

Influenciado pela eloquência dos pastores evangélicos, o cantor se sobressai nas batalhas em que rappers se provocam com rimas improvisadas

Por Pedro Alexandre Sanches

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Leandro Roque de Oliveira, de 24 anos, veio ao mundo pouco antes do estouro dos Racionais MC's, a banda mais popular e influente do hip hop nacional. Como boa parte dos garotos de periferia (nasceu no Jardim Fontalis, zona norte de São Paulo), ele não conheceu o Brasil sem o discurso indignado de Mano Brown, o líder do grupo. Sobretudo por isso, já na adolescência, começou a transformar o próprio cotidiano em rimas. Hoje, é estrela ascendente do rap e um craque quase imbatível nas batalhas de freestyle - competições em que rappers se desafiam por meio de improvisos. As sucessivas vitórias nessas brigas de palavras lhe renderam a alcunha de Emicida, neologismo que significa algo como "o matador (ou homicida) de MCs". 

A habilidade e a inteligência exibidas em seu canto-fala são de fato impressionantes. A partir de um universo (só) aparentemente caótico de informações e referências, Leandro constrói o sistema lógico sólido que norteia os 25 raps reunidos num disco artesanal (uma "mixtape", como chama), batizado de Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe... O jovem artista conta que lançará o primeiro álbum oficial apenas no ano que vem, mas é difícil ouvir a mixtape e não compreendê-la como um disco pronto, completo e muito bem fundamentado.

Ali, percebe-se que o músico leva o hip hop adiante em várias frentes. Ainda que muitas de suas composições não abdiquem da crítica social que caracteriza o gênero, Emicida lança mão de rimas mais elaboradas, de um canto mais dolente, de bases mais suaves e, às vezes, de um lirismo incomum entre os rappers. "Hoje de manhã/ atravessando o mar/ vou me perder, vou me encontrar/ a cada vento que soprar", avisa o refrão de A Cada Vento. Já em Pra não Ter Tempo Ruim, a base cantada por Mariana Timbó é parte da letra de Suíte do Pescador, de Dorival Caymmi.

Afável de maneira oposta à que pode sugerir o agressivo apelido, Leandro diz que o rap e Mano Brown não foram suas únicas referências. "Não posso negar que também cresci ouvindo a Xuxa na televisão..." Tampouco a influência dos perseguidos pagodeiros dos anos 90 ele teme reconhecer, e o faz sem distingui-los de sambistas de maior prestígio entre a classe média. "É parte da minha história essa parada, Exaltasamba, Katinguelê, Art Popular, Negritude Jr., Leci Brandão, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila." O rapaz descreve com gosto um outro ponto de referência de quando era bem pequeno. "Meu pai trabalhava como pedreiro. Quando ele morreu, em 1991, minha mãe estava sem emprego e começou a levar a gente aos cultos evangélicos, sem ser evangélica, mais porque depois do culto sempre rolava um rango. A gente colava na macumba também, onde tivesse comida de graça. Eu achava a macumba mais divertida, ficava ligado no batuque. Acho que minha noção de ritmo veio dali. Mas o texto dos pastores, o lance de persuadir as pessoas, acabou me ajudando no freestyle."

Fã de cordéis, Leandro revela total percepção do parentesco maluco entre os seus desafios improvisados e o "rap" bem mais antigo dos repentistas nordestinos. "Um lado da minha cabeça me diz sempre que alguém [dos EUA] estava aqui, viu o repente, voltou pra lá e fez o rap." Ele não usa a expressão "um lado da cabeça" em sentido figurado: "Fazendo freestyle, com o tempo, o seu cérebro começa a ficar dividido. Várias vezes estou cantando no palco e minha cabeça está em outro rolê, fico olhando as pessoas, pensando: 'Ó o chapéu desse maluco, como tem coragem de sair com isso?'. E estou aqui, cantando ou improvisando".

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Pedro Alexandre Sanches é crítico de música.

Ouça a música "Triunfo" ao vivo:


Veja um trecho do show

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23/11/2009

willbor - diz: assim como racionais mv bill sabotage facçao central ta aew otra lenda viva xD


20/11/2009

Alex - diz: como diria o Leandro.."a rua é NÓIZ"...


11/11/2009

Ba - diz: de muita qualidade!


11/11/2009

crious - diz: finalmente rap nessa revista elitista!


11/11/2009

maiana - diz: Zica da rima!


09/11/2009

;) - diz: E.M.I.C.I.D.A? Adooooooro


09/11/2009

;) - diz: Emicida? Adoooro.


08/11/2009

José Henrique - diz: Por que ele não cita o Katinguelê nas músicas, e sim, o Cartola. Como diria Dona Milú: "Mistériooooo"


07/11/2009

Felipe Araujo - diz: Emicida muito bom , sem chatices e clichês bobos, com consciência social e ainda andando sobre varias camadas da sociedade.


06/11/2009

J.DeJesus - diz: Emicida tem um talento singular, excelente na arte de improvisar, é fácil se identificar com sua música porque é feita com muita verdade. Já tava mais do que na hora do rap ter um representante deste nível, boa sorte e tamu junto Leandro, a rua eh noiz.


05/11/2009

@mari_new - diz: Sempre fui mto ligada à música, e a escrever letras. Sempre adorei a mágica que é escrever em rimas. O Emicida me trouxe uma visão diferente [e mto loka] do q é tudo isso! Obrigada Emicida, por fazer parte do meu dia-a-dia!


05/11/2009

felipe - diz: a música brasileira agradece ao emicida


05/11/2009

@elpicanha - diz: É a rua na Bravo, e no fim de semana no documentário da MTV. Êta que esse mundo tem esperança!


05/11/2009

Paulo strobel - diz: Se pensar pequenin, tio. Vai morrer sem


05/11/2009

Shima - diz: Ae irmão, amarrado no foguete! /V


05/11/2009

HIP HOP MULHER - diz: Parabéns...o RAP agradece....


05/11/2009

felipe77 - diz: a rua é noiz /\/


05/11/2009

Claudia - diz: ele merece


05/11/2009

@pxxt - diz: adoro emicida


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