Por Gabriela Mellão
Algumas culturas, como a japonesa e a mexicana, têm o costume de festejar a morte. A atriz Janaina Leite, 28, e o músico Felipe Teixeira Pinto, 32, não chegam a tanto, mas fizeram de sua separação amorosa motivo de celebração. Em junho de 2008, machucados com o fim de sete anos de relacionamento e conscientes da força de cura que reside tanto nos ritos de passagem como no ato da criação, organizaram uma série de sete festas com familiares, amigos e até desconhecidos. O resultado foi o espetáculo Festa da Separação: Um Documentário Cênico, em cartaz em São Paulo, com direção de Luiz Fernando Marques, encenador do Grupo XIX de Teatro, e que tem como "atores" o próprio casal. "Eu e a Jana temos uma parceria artística que se construiu durante a nossa relação. Fizemos músicas juntos, criamos roteiros de curtas-metragens, pensamos arte. A necessidade de produzir algo artístico a partir do que estávamos vivendo foi inevitável", diz Felipe. A opção pela realização de uma obra de arte aconteceu na última viagem do casal, no ano passado. A atriz, que pertence ao Grupo XIX de Teatro, participava de uma turnê do espetáculo Hysteria, na Inglaterra. Felipe a encontraria e os dois viajariam pela Europa. Mas romperam antes - e à distância, por Skype. A viagem planejada foi por água abaixo, mas eles resolveram viver o que chamaram de "lua de mel da separação". Foram dez dias de forte carga emocional, fundamentais para o desenvolvimento do projeto, nos quais eles conversaram, registraram ideias em filmes documentários (uma mania de Felipe) e pensaram sobre o que fazer com o material. "A arte passou a ser o canal de discussão da relação. Saímos do campo do privado, da ideia de 'eu', e pudemos criar um distanciamento da nossa própria vida, como poucas vezes vivi", conta Janaina. As festas foram concebidas como ritos de passagem e processo de ensaio. As pessoas eram de fato convidadas para uma festa de separação e levavam presentes para a nova fase da dupla - Felipe ganhou, por exemplo, uma fita virgem para gravar futuras vivências. Os eventos eram um misto de balada e sarau: o ex-casal compartilhava vídeos, textos e canções sobre práticas amorosas com os convidados e, depois, gravava depoimentos deles. Felipe conta quanto Janaina se emocionou na primeira festa, na casa de sua mãe, ao dividir com ela e suas irmãs o fim do relacionamento. Conta também que, depois de uma das festas, sua mãe mostrou-lhe pela primeira vez o convite de casamento dela, de 1973, que dizia: "Nós tentamos reinventar o amor, mas... vamos casar!". "Como minha mãe, nós não conseguimos reinventar o amor, mas estamos vivendo uma separação completamente diferente da que ela conseguiu ter com meu pai", diz Janaina. Apesar de retratar uma experiência extremamente íntima, é interessante perceber que o espetáculo pouco revela sobre a história de amor dos protagonistas. O relato dos dois serve apenas de trampolim para um voo mais elevado sobre práticas amorosas. O diretor Luiz Fernando Marques define este trabalho como um Big Brother às avessas, na medida em que os atores são editores da sua própria história. "Sempre tivemos cuidado para que não ficássemos expostos demais. Nós não queríamos falar da gente de um modo invasivo ou alimentar esse olhar curioso e esvaziado que compõe a maioria dos reality shows", afirma Felipe. "A intenção era transformar essa história pessoal numa coisa maior. Falar sobre separação em geral e não da separação deles", diz o diretor. Os autores acertam nesse ponto. Afinal, poucas coisas são mais chatas do que uma discussão de relação. O espetáculo Festa da Separação, ao contrário, chega a emocionar em alguns momentos. Gabriela Mellão é jornalista e dramaturga, autora da peça ------
Parasita, entre outras.
Festa da Separação: Um Documentário Cênico. Concepção e interpretação de Janaina Leite e Felipe Teixeira Pinto. Direção de Luiz Fernando Marques. Teatro Imprensa (rua Jaceguai, 400, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3241-4203). 3a e 4a, às 21h. Até 2/12. R$ 10.
17/11/2009
Carol Bogetti - diz: Uma peça infanto-juvenil bem ao ritmo de Mundo de Sofia.
15/11/2009
Caio Tulio - diz: A crítica da Folha de S. Paulo foi perfeita: filosofia de almanaque. Para jovens adolescentes, amantes de Crepúsculo é uma boa pedida. Novidade está na união de teatro e documentário, mas é só.
15/11/2009
Odryzynski - diz: Diferente.Interessante,pura filosofia.
15/11/2009
Renata Giobbi - diz: Se for verdade que eles ficaram sete anos juntos, então as discussões são muito superficiais, filosofia de boteco. Agora, se tudo for mentira, então não passam de exibicionistas, ruim atores, que querem seus 15 minutos de fama
13/11/2009
Mauro Mendonça - diz: Horrivel
12/11/2009
Érica Hoffmann - diz: Sensacional.